sexta-feira, 10 de junho de 2011

MARCHA DAS VADIAS ???


A Marcha das Vadias tem um nome forte, que às vezes assusta.

Mas assustador mesmo é ouvir que a culpa pelo estupro é da mulher.

Assim nasceu a marcha, em abril deste ano, no Canadá, quando o policial Michael Sanguinetti, na Universidade de Toronto, pediu para as mulheres não se vestirem como “Sluts” (putas) para evitarem ser estupradas.

O protesto reuniu mais de 3000 pessoas que saíram às ruas de Toronto para defender os direitos das mulheres e dar um grito pela liberdade sexual feminina. Negando rótulos e estereótipos, deram o nome à marcha de “SlutWalk”, a Marcha das Vadias, e com roupas extravagantes se vestiram sem medo e sem vergonha. Elas se permitiram brincar com vestimentas, usar blusas decotadas, mini-saias, e algumas ainda ousaram sair de sutiã e calcinha.

Desde então, a manifestação se espalhou por todo mundo e ganhou milhares de adeptos por meio das redes sociais. O principal objetivo da marcha é fazer com que a sociedade reflita o machismo.

Não receio afirmar que o Brasil está entre os países mais sexistas do mundo, e a sexualidade da mulher é apenas uma forma de perceber o machismo.

Nós brasileiras nos deparamos cotidianamente com o controle da sexualidade feminina. A concepção conservadora-religiosa é repressora e dita que a mulher deve esconder o corpo ante a sociedade e se resguardar para o marido. Por outro lado, a voracidade do capitalismo tem interesse pelo corpo feminino descoberto, e nesse caso expõe, banaliza, explora e agride a sexualidade feminina.

Nesses dois casos, o motivo é o mesmo, um desequilíbrio de poder existente entre homens e mulheres, em que a mulher ainda é vista como objeto sexual do homem.

A brincadeira, a piada, ironia é muito bem-vinda e inteligente quando é utilizada para quebrar preconceitos e combater a violência. É esse o sentido da marcha, ao mostrar de maneira positiva e lúdica que as mulheres podem e devem se vestir, andar e agir como quiserem, sem serem agredidas.

Entretanto, o assunto é muito sério. A agressão de qualquer tipo contra a mulher é inaceitável, e quando se trata de violência física nem se fala. Uma a cada três mulheres, no Brasil, já sofreu algum tipo de violência sexual ao longo da vida. É um problema de saúde pública? Sim! É um problema de segurança pública? Também! Mas é preciso chegar à raiz da questão.

O direito a uma vida livre de qualquer tipo de violência, seja psicológica ou física é um dos direitos mais básicos da mulher.

Infelizmente, não é assim que pensa a sociedade brasileira. Até hoje muitas mulheres são criadas dentro de uma perspectiva de submissão ao homem. E esse pensamento é tão comum quanto grave. Dessa mentalidade machista é que decorre uma aceitação social da violência baseada no gênero.

Quem não se lembra da tenebrosa frase de Maluf 'estupre, mas não mate', ou da recente “piada” do humorista Rafinha Bastos: “homem que estupra mulher feia não merece cadeia, merece um abraço”. É comum, portanto, aceitarmos as normas sociais, que atribuem ao homem o direito de usar o corpo da mulher ao seu arbítrio.

Sei que estou sendo repetitiva, mas antes repetitiva que oculta. A violência sexual contra a mulher sempre existiu, no entanto só recentemente está sendo discutida no Brasil e só a partir dos anos 90 entrou pra agenda política.

Este ano, comemoram-se 100 anos da primeira marcha do dia internacional da mulher. Contudo e apesar das conquistas, muitas bandeiras de luta são as mesmas há mais de um século. As causas precisam ser redesenhadas e ganhar novos contornos e abordagens. O movimento feminista precisa de uma reconfiguração.

Estamos comemorando também a vitória da primeira mulher eleita presidente do Brasil, e comemorando o fato de tantas mulheres estarem à frente de ministérios e outras instâncias do poder público. Mas queremos que isso seja um fato corriqueiro e que os direitos da mulher e o combate ao assédio sexual feminino seja uma prioridade de governo.

Talvez, há dez anos, uma afirmação como a do policial Canadense não causasse tanto impacto. A marcha veio pra mostrar que as mulheres estão mais livres e não querem ficar caladas.

A Marcha das Vadias teve início no Brasil no dia 4 de junho, em São Paulo. A manifestação da Avenida Paulista incentivou o resto do país, e já estão sendo organizadas marchas em Fortaleza, Recife, Juiz de Fora, Belo-Horizonte e Brasília.

Não fiquemos caladas: Venham participar da Marcha das Vadias, no dia 18 de junho, em frente ao Conjunto Nacional, ao meio-dia, em Brasília.


“ESTUPRO NÃO É PIADA, MACHISMO MATA”

Lia Padilha Fonseca
Engenheira Agrônoma e Feminista. Organizadora da Marcha das Vadias em Brasília.





terça-feira, 10 de maio de 2011

Bahia, minha porra.

Você tem sido a minha inspiração...

... para toda aspiração minha. É você, hoje, quem mais me inspira e me faz querer buscar o melhor de mim, em tudo.

Depois de tudo o que vivi, você me pegou de surpresa. Não esperava algo assim tão bonito, tão grande, tão profundo...

... que me virasse a cabeça e me tirasse do chão, novamente.

Tem hora, não sei bem porque, tomo atitudes que vão na direção oposta. São as minhas atitudes tortuosas, descontroladas, descabidas e impulsivas.

Mas esse amor, que é raro, não sabe parar de crescer... e não vou mentir que não tenho medo de sofrer.

Sua interpretação do mundo me encanta. Das pessoas, me fascina. E de mim? Deixa-me boba e vulnerável.

Porra, você é lindo demais!

Não era melhor ter ficado lá na Bahia?

Te amo, Rodrigo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Carta Adolescente


Tenho tido muita insônia... mas até que essas madrugadas solitárias têm sido interessantes.

Hoje fiquei relendo algumas cartas antigas da pasta "Documentos pessoais", e nem todas me trouxeram boas recordações. Mas esta específica me fez rir muito por dentro. Havia me esquecido dela... é a carta mais antiga desse computador, direcionada ao meu pai, quando eu tinha quatorze anos.
Resolvi até compartilhar:

Pai,

Hoje saí com o Zé à uma plenária do PT. Escutando atenta ao debate refleti sobre uma porção de coisas e percebi mais do que nunca o quanto sou ignorante politicamente. Gostaria, nessa carta, de expor algumas dúvidas sobre a política. Lembro-me bem quando, ha muito tempo, você me pediu para escrever-lhe uma carta perguntando sobre qualquer coisa da vida. Realmente, não dá pra pensar num mundo mais justo, sem pensar mais na política em si. Pois hoje, penso muito e descubro mais e mais dúvidas que me fazem sentir mais e mais burra. O que me envergonha é desconhecer coisas básicas, as quais tenho certeza serem fundamentais os seres humanos saberem, e é por isso que estou me sintindo tão alienada.

Por exemplo..... (aqui apaguei uma lista com umas 15 indagações)

Beijos da sua filha meio burrinha, mas que está com muita vontade de aprender, e que já está dando os primeiros passos para ser a maior política dos últimos tempos e que vai fazer uma revolução mundial por um mundo mais justo e igualitário.

Lia (14 anos)

PS: Por favor, não mostre esta carta a ninguém.


hehehe.... o mais massa é o "mundial". Né pouca bobagem não...

"Ê Lia......... você não muda"

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Elis Regina - Zazueira



VOU VOLTAR

De sorriso aberto,

Tenho andado feito uma criança.

Sabe? Parece que tem uma linha puxando os cantos da minha boca, o tempo todo pra cima.

Basta um pequeno motivo para um grande sorriso.

Parece que tudo anda bonito, engraçado ou emocionante.

É como se a alegria tivesse definitivamente tomado conta de mim. E quando alguma coisa de ruim acontece, espontaneamente, vem o choro ou o esperneio... e dali um pouco a vida retoma ao seu lugar. O lugar de bem com a vida.

A vida tem sido também a busca pela harmonia e o querer estar de bem com todos. Ando querendo encontrar em todos os seres as suas qualidades. E reconhecer em mim, os defeitos.

E eu posso explicar. Essa alegria e a sensação de invencibilidade é porque estou voltando para o meu lar. Para o meu lugar. Pois, “..foi lá e é ainda lá que eu hei de ouvir cantar uma sabiá...”.

A sensação é muito parecida de quando voltei à Brasília em dois mil e sete: de missão cumprida! Mas mais do que isso, me sinto livre, leve e solta.

Lins se tornou um lar, sem dúvida nenhuma. Um lar e um lugar muito especial pra mim.

Mas claro que Lins nem sempre foi "esses jardins".

É tipo assim: Lins é Lins, Brasília é Brasília. Sem comparação.

Quero chegar em Brasília e aproveitar tudo: cada segundo, cada pessoa, cada palavra, cada sorriso, cada livro, cada lugar, cada acontecimento.

E quem sabe um dia, quando eu novamente sair de Brasília,

Outro lugar acabe por se tornar o meu lar.

Mas enquanto esse dia não quer chegar, eu continuo a acreditar

Que, Brasília, minha querida Brasília, eu hei de sempre querer voltar!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Nada mais que trainee

Lembro-me como se fosse ontem do processo seletivo do Programa de Trainee, e quando, finalmente, cheguei na entrevista com o gestor. Saí da entrevista com uma sensação boa, de que tinha me entendido com o grande e poderoso chefão. Uma semana depois quase explodi de alegria com a aprovação! Minha família e amigos já não aguentavam mais minha euforia e o sorrisão. ;)

Já em Lins, a primeira fase do programa, o tal do JOB-ROTATION, não foi nada fácil, por razões pessoais, pelo fato do Frigorífico ser uma realidade que eu desconhecia completamente, e também por falta de estrutura e orientação do programa. Mas foi sim uma etapa importantíssima de integração. Foi quando conheci os outros trainees, todos os departamentos da fábrica, seus processos administrativos e industriais.

Fui então selecionada para ficar no setor de Beef Jerky! Conhecem?? É aquele salgadinho de carne americano, ruim pácacete. Foi lá a minha primeira escola. Quebrei a cabeça com os processos térmicos, tive que aprender até de física-quântica pra dar conta do recado (ahiuahiahia, ó o exagero), tive conflitos que considero importantes (ô cara chato o Zé Dartora), me integrei bem à equipe e aprendi muito, muito mesmo. Mas a insegurança me atrapalhou, com certeza. Até que a fábrica parou (a gente só tinha um cliente e quem entende de negócios sabe que ter apenas um cliente é suicídio comercial).

No período que a fábrica ficou parada dei uma pirada, uma boa pirada. Aprendi que não tem coisa pior no trabalho do que não ter o que fazer. Mas o saldo desse período foi muito positivo, com uma leve sensação de que poderia ter feito mais e aprendido mais.

Com o Beef Jerky parado, eu vim parar no setor de Conservas (picadinho, corned-beef e almôndegas em lata). É estranho dizer isso, mas eu me identifiquei com o departamento de enlatados. Haha, não é isso, é que a produção é mais dinâmica, o chefe super competente e boa gente, equipe coesa e tive boas oportunidades. Foi aqui que aprendi a gerenciar custos e os indicadores da produção. Fiquei mais segura e até rótulos eu modifiquei nas latas. Suuuuucesso. ;)

A verdade é que eu sofri, mas aprendi e amadureci muuuuito com essa experiência toda. Os conhecimentos adquiridos: conhecimentos técnicos, teóricos e a vivência do dia-a-dia da indústria, é algo que eu nunca perderei.

O programa de Trainee se diferencia das demais contratações pela oportunidade de conhecer o todo antes de ir para a área específica, ter acesso à informações "privilegiadas" e pessoas estratégicas, e pela oportunidade grande de se tornar um líder (alto executivo) na empresa, o que é o sonho de muitos jovens, mas não o meu, definitivamente. A idéia que percorre o trainee, de ser um líder em potencial, tem vantagens e desvantagens. É que nos dão oportunidade, mas muitas vezes, criam expectativas muito altas, sem nos darem os treinamentos e as orientações necessárias pro nosso desenvolvimento.

No programa de Trainee Bertin 2009 – Industrializados, alguns souberam aproveitar as oportunidades mais que outros. No meu caso, sei que não faltou vontade e eu me doei, por completo, ao trabalho. Mas a vida é uma conjunção de fatores, e, na minha passagem, sei o tanto que a vida pessoal esteve ali, por um longo período, como uma pedra no meu sapato!

Chegou a hora de fazer escolhas. Agora eu não sou mais trainee, já fui efetivada há algum tempo e entendo bem mais do negócio. Devo refletir se invisto na carreira ou vou buscar novos rumos. Na verdade, ter trabalhado na Bertin e depois JBS Friboi (teve fusão das empresas, detalhe que eu pulei), foi uma experiência de dois anos muito marcante, mas não é e nunca foi o que eu quero fazer pelo resto da minha vida. Quero dar outras-diferentes contribuições à sociedade, e sempre soube que conhecer a realidade de uma empresa de perto seria importante para mim.

Então decido sair, mas saio da Empresa com uma sensação de vitória, de ter aprendido muito e de ter dado a minha contribuição.

Mas, sem dúvida nenhuma, a maior conquista foram as grandes amizades que eu ganhei, as quais vou manter pelo resto da vida.


André, vai que é tua em Campo Grande!

Bru, vai ser muito foda sem você lá em Brasília.

Tati.... preciso dizer alguma coisa?

saudades e saudades sentirei.

Brasíííííííília, se segura que lá vou eu! Agora esse mundo é meu! :-)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Vitória!


Ontem foi eleita Dilma Rousseff presidente do Brasil.
Dá um orgulho muito grande eleger uma mulher comunista, que foi guerrilheira na ditadura militar. 
Como disse meu irmão, José Ricardo, a candidatura de Dilma expressa a trajetória dos contestadores, dos indignados, dos inconformados com as injustiças.
Lula fez um bom governo, o povo brasileiro reconheceu isso, e amanhã vai ser maior.
Torço por esse governo, torço pelo Brasil e estou confiante.
Estou muito feliz. Parabéns, Dilma.

sábado, 16 de outubro de 2010

OCEANO AZUL



Análise swot, 5 Forças de Poter, Calda Longa, Os 4 P’s do marketing, marketing, marketing, marketing... aaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh! Parem o mundo que eu quero descer!

Eu saí de Brasília e vim para o interior de São Paulo, conhecer a realidade do mundo. E, infelizmente, o nosso mundo é capitalista.

Alguns amigos diziam, calma Lia, você verá, o capitalismo de hoje não é como antigamente, hoje é interesse das empresas valorizar seu funcionário, garantir os direitos trabalhistas, oferecer boas condições de trabalho aos seus “colaboradores”, preservar o meio ambiente, garantir um produto de qualidade, ter ética e responsabilidade social. Isso tudo, hoje, gera lucro.

Bullshit! Bullshit! Bullshit! (os capitalistas adoram termos americanos)

A verdade é que Maria, José, Antônio, Geraldo, Aparecida, dão duro dia e noite. Devo ter me perguntado pelo menos umas 500 vezes se isso é vida, se a vida deles é vida. Comem, trabalham duro, chegam em casa cansados e dormem. No domingo o corpo pede descanso para se recuperarem, para segunda-feira estarem de pé e darem duro outra vez. A vida dos trabalhadores da fábrica é qualquer coisa que não vida, vida pra mim é outra coisa.

A minha conversa agora é com o Marx.

Meu querido amigo, tudo o que você falou, lá em 1870, se mantêm em meu tempo, 2010, você acredita? Ainda vivemos sob um regime capitalista, com tudo o que nele tem direito: exploração do trabalho, mais valia, desigualdade social... mas calma, nós evoluímos, um pouco, mas evoluímos.

Você precisava ver a revolução na informação e comunicação. Não é todo mundo, mas eu e boa parte das pessoas temos acesso a informação de forma ilimitada, e com isso temos outra forma de construção do conhecimento. Nós inventamos a internet, desafiando o tempo e o espaço. Marx, nós transcendemos qualquer noção que a sua época poderia ter de tempo e espaço. Pois desafiamos mesmo, e hoje temos acesso as mais inimagináveis informações, a qualquer momento, e contacto com as pessoas mais intangíveis, em qualquer lugar. É de arrepiar.

Mas não é pra todo mundo, nem a informação e nem o conhecimento. A comida, também ainda não é pra todos, e a pobreza ainda é brutal. Tudo se tornou mais complexo, as nossas relações sociais, organizações, instituições, as estruturas de poder, a produção material, intelectual, tudo mudou.. como você já previa por meio do materialismo histórico dialético, mas continuamos capitalistas e desiguais. E o problema é que agora poucos se queixam.

Você provocou, tacou fogo e as pessoas reagiram, mas já passou tanto tempo que as pessoas se acostumaram e acomodaram. Já acham tudo natural de novo.

A Maria, o João, o José, não vivem em condições tão horrorosas como na sua época, mas não deixa de ser um horror as condições em que vivem. Sabe o que é, é que agora vivemos num Estado Democrático de Direito onde o poder emana do povo.

Bullshit! Bullshit! Bullshit!

O Estado até tenta cumprir sua função social.. mas não consegue ser a instituição hegemônica e nem deixar de ser corrupto. E as empresas, por mais q tentem também, não conseguem enxergar outra coisa senão lucro, lucro, mais lucro.

Agora, o que eu vou te contar é de cair pra trás. Se segura. Lembra quando você falou que a religião é o ópio do povo? Que para haver a libertação das sociedades precisaríamos abolir as religiões? Então... aqui no Brasil a religião tem sido a questão mais discutida nas eleições presidenciáveis. Ganha o candidato que for mais religioso.

E, ninguém está levantando bandeira contra o capitalismo e também ninguém está enxergando uma alternativa. Os capitalistas estão falando agora em oceano azul! Olhe só! As empresas estão se juntando... e os capitalistas ficando bem fortes! Estão nadando de braçada, no oceano azul. E nós estamos desunidos. Nós não nos queixamos mais, é cada um por si e a luta é individual. O que temos é um monte de microgrupos e minicausas.

Análise swot, 5 Forças de Poter, Calda Longa, Os 4 P’s do marketing, marketing, marketing, marketing... OCEANO AZUL aaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh

É TEMPO DE VOLTAR A PENSAR, É TEMPO DE AGIR!